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A cólica que aparece todo mês não é algo com que v A cólica que aparece todo mês não é algo com que você precise se acostumar.

Muitas mulheres convivem com ela há anos. Algumas ouviram que é assim mesmo. Outras aprenderam a resolver com um analgésico ou um anti-inflamatório, que de fato trazem alívio no momento.

Mas, para o Ayurveda e a Medicina Chinesa, uma menstruação saudável não dói. A dor recorrente, mesmo moderada, é um sinal de que algo precisa de atenção.

E ela pode ter causas diferentes.

Para a ciência, as contrações do útero são reguladas por substâncias chamadas prostaglandinas, e pelo equilíbrio hormonal ao longo do ciclo. Também existem condições como adenomiose, mioma e endometriose.

Para o Ayurveda, o corpo é formado por cinco elementos, que se organizam em três forças chamadas doshas. 

Vata, formado por ar e éter, conduz todo movimento do corpo, inclusive a descida do fluxo menstrual. Quando Vata está em excesso e esse movimento encontra obstrução, surge a dor. E ela pode ganhar outras qualidades: com Pitta (fogo e água), vem o calor e a inflamação; com Kapha (terra e água), o peso e a estagnação.

Para a Medicina Chinesa, a dor surge quando a energia vital e o sangue não circulam livremente, ou quando falta nutrição ao útero.

Por isso, o cuidado não é igual para todas. Entender a causa raiz da sua dor é o que permite um resultado que não precise ser repetido todo mês.

Como é a sua dor menstrual?
Você sabe quantos dias dura o seu ciclo? Muitas m Você sabe quantos dias dura o seu ciclo?

Muitas mulheres nunca registraram. E não sabem que esse número pode contar algo importante sobre a ovulação.

Estudos mostram que ciclos muito curtos ou muito longos têm mais chance de acontecer sem ovulação. 

A Medicina Chinesa e o Ayurveda já observavam o ciclo por esse olhar: em chinês, a menstruação acompanha as fases da Lua. A referência é de 21 a 35 dias, com média de 28. 

E a menstruação adiantada, atrasada ou irregular revela padrões mapeados pelas medicinas orientais assim como caminhos e estratégias de suporte para regular o ciclo.

Registrar o ciclo é o primeiro passo. 

Interpretar esses sinais, o segundo. 

E cuidar deles, o caminho.

Quantos dias dura o seu ciclo?
Quanto sangue é esperado numa menstruação? E por q Quanto sangue é esperado numa menstruação? E por que menstruar só dois dias nem sempre é sinal de que está tudo bem?

Neste post, reuni dois olhares que se complementam.
De um lado, a ciência que segue se atualizando.

 A FIGO, Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, revisou os termos usados para descrever o sangramento menstrual, separando o tipo de sangramento das suas causas.

De outro, as medicinas milenares. 
O Ayurveda já descrevia a quantidade de fluxo em Anjali, a medida das próprias mãos em concha. 

E a Medicina Chinesa lê na menstruação escassa a deficiência de Xue (sangue) ou de Jin Ye (líquidos orgânicos), e na menstruação abundante o calor que expulsa o sangue dos vasos ou uma alteração do Baço, que deixa de conter o sangue.

O fluxo escasso, a menorragia e a amenorreia não são só números. São sinais de como o corpo está sendo nutrido.

E, na minha prática, vejo que esses padrões podem ser cuidados.
Como é a quantidade do seu fluxo?
No último post, recebi uma pergunta sobre os coágu No último post, recebi uma pergunta sobre os coágulos. E ela me mostrou que esse tema merecia mais espaço.

Durante muito tempo, os coágulos foram normalizados ou simplesmente ignorados. Cada mulher tinha o seu tipo de fluxo, e pouca gente explicava o que ele mostrava.

A ciência explica como eles se formam. 

E essa leitura não é feita de forma isolada. 

No Ayurveda e na Medicina Chinesa, um coágulo é apenas uma peça de um quadro muito maior. A anamnese considera o conjunto: ciclo, digestão, sono, energia, emoções, dor, alimentação e outros sinais, buscando entender como os diferentes sistemas do corpo e da mente estão se relacionando. 

É justamente essa visão integrada que permite compreender o padrão de cada mulher e direcionar um cuidado mais individualizado.

E o que os coágulos mostram pode ser cuidado, com alimentação, ervas e uma rotina ajustada ao que cada mulher precisa.

Os seus coágulos costumam ser pequenos ou grandes?
O sangue menstrual já foi chamado de impuro. Mas e O sangue menstrual já foi chamado de impuro. Mas ele é o sangue que nutriria uma gestação: fonte de vida.

E também uma das amostras mais honestas de como está a sua saúde.

A cor do fluxo e os coágulos contam uma história. A ciência lê parte dela. A Medicina Chinesa e o Ayurveda leem outra: calor, frio, estagnação, deficiência.

Para essas tradições, o sangue é construído a partir da nutrição, das emoções e das experiências. Por isso, o que ele mostra pode ser cuidado.

Lembrando: uma cor isolada não diagnostica nada. O que importa é o padrão que se repete.

Há algumas semanas, publiquei um post sobre o poder regenerativo do sangue menstrual. Ele está fixado no meu perfil para quem quiser se aprofundar.

Qual cor aparece com mais frequência no seu fluxo?
Seu ciclo fala. A pergunta é: alguém te ensinou a Seu ciclo fala. A pergunta é: alguém te ensinou a escutar?

Esta é a abertura de uma série de posts que vou publicar nos próximos dias.

Por muito tempo, a menstruação foi vista como algo isolado, sem relação com o restante da saúde. Hoje ela é reconhecida como um sinal vital, assim como a temperatura, a pressão e os batimentos.

Eu me alinho com a visão que a coloca como o sexto sinal vital, porque ela inclui a dor. E a cólica forte também é um sinal que não deveria ser normalizado.

Em vários países, mulheres levam de 7 a mais de 11 anos para receber o diagnóstico de endometriose. Muitas vezes por falta de informação, inclusive na formação de profissionais de saúde. É uma mudança que precisa começar na base da educação. E também quando cada mulher aprende a reconhecer os próprios sinais.

Nesta série, quero te ensinar a observar, registrar e interpretar o seu ciclo. Não para fazer autodiagnóstico, mas para reconhecer o que é uma oscilação natural e o que já pede suporte.

Porque, para a Medicina Chinesa e o Ayurveda, antes da doença existe o desequilíbrio. E é nesse intervalo que o cuidado pode fazer mais diferença.

Qual sinal do seu ciclo você mais gostaria de entender?
Escrevo este post após um um momento de pausa, cer Escrevo este post após um um momento de pausa, cercada de verde, depois de um dia cheio.

E talvez seja essa a melhor forma de contar por que criei o método Raízes Vitais, uma consukta integrativa de Regeneração do Sistema Nervoso e Gestão do Estresse. 

Ao longo dos anos atendendo mulheres, fui percebendo que, em todas as fases, do ciclo menstrual à perimenopausa, havia um fio em comum: um sistema nervoso sobrecarregado. Nas mulheres que atendo, nas pessoas à minha volta, e em mim também.

Por isso decidi reunir num método tudo o que já vinha praticando em consultas e cursos. Dei a ele uma estrutura, um percurso de três meses e um nome que traduz o que acredito: cuidar das raízes para que a vida possa florescer.

Essa escolha também tem a ver com a minha própria jornada. Depois de treze turmas do Ciclo Feminino Natural, vivi um tempo só sustentando o que já existia. Hoje estou de novo criando, sem pressa, no meu ritmo. E sinto na pele o que ensino: quando a raiz está nutrida, a vitalidade transborda em criatividade.

É isso que desejo para cada mulher que chega até mim. Não só acalmar o que está agitado, mas reconstruir a base para que ela tenha força para viver, e para criar a própria vida.

Esta série de posts termina aqui. Mas o cuidado continua.
E você, o que tem nutrido as suas raízes ultimamente?
Depois de passear por várias formas de enxergar o Depois de passear por várias formas de enxergar o sistema nervoso, chegou a hora da pergunta prática: como cuidar dele?

Meu trabalho parte da Naturologia, unindo Ayurveda e Medicina Chinesa num cuidado que olha para o corpo, a energia, a mente e a consciência.

Na graduação, aprendi o valor das abordagens transdisciplinares, em que diferentes saberes se complementam. Por isso, esse cuidado sempre soma ao acompanhamento médico e de outras especialidades. Nunca substitui.

E um dos recursos menos falados é também um dos mais atuais: cuidar do que entra pelos sentidos.

O Ayurveda coloca o Brahmacharya, o uso consciente dos sentidos e da energia, como um dos três pilares da saúde, ao lado da alimentação e do sono.
Num mundo de telas, notificações e estímulos o tempo todo, dar pausa aos sentidos é também dar espaço para a mente digerir o que viveu.

A esse cuidado se somam o poder das plantas (fitoterapia, aromaterapia e terapia floral), a alimentação, a rotina, a respiração, a meditação, as práticas corporais.

Regular quando é preciso acalmar. 
Regenerar quando é preciso nutrir. 
É nessa soma que o sistema nervoso reencontra o caminho de volta ao centro.

Qual desses recursos você sente que está faltando na sua rotina hoje?
Tem dias em que tudo parece alto demais? O barulho Tem dias em que tudo parece alto demais? O barulho, a luz, as pessoas, os próprios pensamentos?

Muitas mulheres vivem assim, algumas o tempo todo, outras em certas fases da vida ou do ciclo.

Não é frescura. É um sistema nervoso altamente sensível, em modo de sobrevivência, com o filtro que separa o importante do irrelevante funcionando aberto demais.

Seguindo a série sobre sistema nervoso, depois de passar pelo cortisol, pela Medicina Chinesa e pelo Ayurveda, hoje voltamos ao corpo para falar de uma estrutura que conecta tudo isso.

O nervo vago é uma das grandes vias de comunicação entre corpo e cérebro. Ele chega ao coração, ao intestino e também ao útero.

A ciência mostra que o tônus vagal, a capacidade de voltar ao centro depois de um estresse, oscila ao longo do ciclo menstrual. E que essa oscilação é maior justamente nas mulheres com TPM mais intensa.

Mas talvez o dado mais bonito seja este: ser sensível não é o problema. Pessoas sensíveis com bom tônus vagal vivem com mais bem-estar. E essa capacidade pode ser cultivada.

Regulando o sistema no momento. E regenerando a base que sustenta tudo.

Você sente que o mundo fica mais intenso em alguma fase do seu ciclo?
Você já se sentiu presa em um estado que parece nã Você já se sentiu presa em um estado que parece não mudar, seja a agitação que não deixa parar, seja o desânimo que não deixa sair do lugar?

O Ayurveda tem um mapa para entender isso.
Ele descreve três qualidades que a mente pode assumir: 
Tamas (peso, inércia), 
Rajas (movimento, agitação) 
e Sattva (clareza, presença). 
Todas estão em nós. O que muda é qual predomina.

E cada pessoa chega a esses estados por caminhos diferentes.

Há quem viva longos períodos em Rajas, acelerando e sustentando tudo, até o corpo cobrar e cair em Tamas. É o que hoje chamamos de burnout.

E há quem viva no estado de Tamas há muito tempo, como padrão de vida: pouco movimento, desânimo, sensação de peso, névoa mental, dificuldade de concentração e de memória.

Por isso não existe uma receita única, e nem sempre o caminho é ir direto para a calma.

Nos últimos dias, atendi uma interagente com esse padrão de melancolia e estagnação.  Uma das direções do tratamento é trazer mais calor, mais fogo, estimular movimento primeiro. É esse movimento que abre espaço para Sattva depois: um estado de maior clareza mental e serenidade, em que a mente consegue discernir e fazer escolhas que sustentam o equilíbrio.

E nada disso acontece só na mente. Para o Ayurveda, corpo e mente são inseparáveis: a alimentação, a rotina, o movimento e o sono são também caminhos para mudar o estado mental que adotamos no tratamento integrativo. 

Regular quando há excesso de agitação. Regenerar quando há depleção. 
Cultivar Sattva como caminho.

Qual desses três estados tem predominado em você nos últimos tempos?
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