Por Jacqueline Guerra,
Naturóloga, especialista em
Saúde Integrativa da Mulher com Ayurveda e Medicina Chinesa
Publicado em julho de 2026
Durante décadas, aprendemos que após a menopausa os ovários se tornam órgãos praticamente inativos,uma espécie de casca vazia, sem função relevante para o organismo.
Um estudo publicado em junho de 2026 na revista Molecular Human Reproduction, pela Northwestern University, sugere que isso pode estar errado.
E quando li essa pesquisa, algo se iluminou em mim, não só como profissional, mas como mulher de 46 anos atravessando a perimenopausa.
O que a ciência descobriu
Um estudo publicado em junho de 2026 na revista Molecular Human Reproduction, pela Northwestern University, descobriu algo que contradiz décadas de ensino médico:
Os ovários não “desligam” após a menopausa.
O título do artigo: “O ovário pós-reprodutivo migra de um órgão reprodutivo para um órgão imunológico.“
Após encerrar sua função reprodutiva, os ovários podem assumir um novo papel com atividade imune ativa, potencial de reparo tecidual, defesa antimicrobiana e possivelmente até atividade anticâncer.
A pesquisadora Francesca Duncan confessou que, como a maioria dos biólogos reprodutivos, acreditava que os ovários na pós-menopausa eram tão inúteis quanto um apêndice.
Duas peças de um quebra-cabeça
Isso não é a mesma coisa que a Medicina Chinesa descreve. São linguagens diferentes, formas distintas de observar o corpo humano.
Mas quando você coloca as duas peças juntas, algo se ilumina.
A Medicina Chinesa diz que após a menopausa, o Qi — a energia vital que antes descia ao útero para a reprodução — sobe em direção ao Coração.
Essa energia não desaparece. Ela muda de direção. E passa a alimentar a essência da mulher: seus projetos, sua intuição, sua expressão no mundo.
A ciência diz que os ovários não param, eles assumem uma nova função sistêmica, voltada para dentro, para proteger e sustentar o organismo.
Não é a mesma afirmação. Mas caminham numa direção semelhante:
O corpo feminino após a menopausa não encerra um papel. Ele assume outro.
Se eu soubesse apenas uma dessas peças, teria uma visão parcial. Com as duas juntas, algo fica muito mais claro, e muito mais motivador para nós mulheres:
Essa fase não é perda. É reorganização.
E quando cuidamos desse processo — com alimentação, fitoterapia, ritmo e escuta — estamos nutrindo uma transformação que a ciência está apenas começando a mapear, e que as tradições orientais já acompanham há muito tempo.
O que isso significa para a travessia da menopausa
Vejo tantos relatos de mulheres exaustas, perdidas, que receberam a mensagem de que a menopausa é um declínio, um processo de perda que precisa ser combatido ou silenciado com hormônios.
Eu me recuso a acreditar que é normal só sofrer.
O que a Naturologia e as medicinas orientais me ensinaram, e o que esse estudo reforça — é que o corpo tem uma inteligência inata. Ele sabe.
Assim como sabe gerar uma vida, conduzir um parto, atravessar cada fase do ciclo menstrual, ele também sabe atravessar essa transição. Não sem desafios. Mas com uma lógica própria, que merece ser compreendida e apoiada, não silenciada.
Compreender a forma como o ovário envelhecido se comunica com o resto do organismo pode abrir novas estratégias para promover um envelhecimento mais saudável nas mulheres, muito além da fertilidade e sem depender exclusivamente de terapias hormonais.
O que o tratamento integrativo oferece nessa fase
Na abordagem integrativa que desenvolvi ao longo dos anos, a perimenopausa e a menopausa são tratadas como uma transição que merece suporte em múltiplas camadas:
Nutrição Ayurvédica e Dietoterapia Chinesa
Adaptamos a alimentação conforme os desequilíbrios e escolhemos alimentos que nutrem a medula óssea, o tecido reprodutivo e o sistema imunológico.
Ervas e fitoterápicos
Plantas que apoiam o sistema imunológico, que nutrem o Yin dos Rins, que restauram Ojas, a essência vital, e que apoiam o equilíbrio hormonal natural nessa fase de transição.
Restauração do ritmo circadiano
O sono é a principal ferramenta de regeneração nessa fase. A insônia e os fogachos noturnos são sinais Yin deficiente e respondem bem ao cuidado integrativo.
Práticas sutis
Meditação, respiração, movimento consciente, práticas que ajudam a energia a fazer essa transição de direção que a Medicina Chinesa descreve: do útero para o Coração.
Uma mensagem para quem está nessa travessia
Quando encontro uma pesquisa como essa, sinto que é mais uma peça que confirma o que já acredito:
Esse corpo continua fértil. Em outros aspectos. Em outras direções.
Não desanime da sua travessia. Confie na inteligência do seu corpo e busque o suporte que essa fase merece.
Como Posso Te Apoiar Nessa Travessia
Se você está na perimenopausa, na menopausa ou na menopausa precoce e quer um acompanhamento integrativo personalizado, a Consulta Segunda Primavera foi criada para essa fase.
Faço uma avaliação completa a partir das ferramentas de leitura da Naturologia, do Ayurveda e da Medicina Chinesa, e elaboro um plano terapêutico individualizado — com orientações de nutrição, ervas, rotina e práticas de autocuidado.
Sou Jacqueline Guerra, graduada em Naturologia e especialista em saúde integrativa da mulher. Acompanho mulheres nessa fase há muitos anos — e estou atravessando a perimenopausa, integrando na minha própria vida tudo o que aprendo e ensino.
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