Vejo muitas mulheres que estão com dificuldades para menstruar pedindo dicas sobre o que fazer para estimular a menstruação. A ovulação é o que causa a menstruação. Quando a mulher não menstrua e está em um quadro de amenorreia, o tratamento deve se concentrar em estimular a ovulação em primeiro lugar. E isso pode levar alguns ciclos.

Então, às vezes vejo dicas como: tome o chá Y ou o chá Z. Mas se a mulher não ovulou e o endométrio não passou pela fase de espessamento, não adianta pois não há o que eliminar na menstruação.

Quando a menstruação atrasa, significa que a ovulação atrasou também.

Já falei sobre a importância da alimentação e como afeta o ciclo. Então, agora vou me concentrar sobre o impacto do estresse no ciclo menstrual e na fertilidade.

ESTRESSE

O estresse pode causar ciclos mais curtos (21 dias ou menos). Nesse padrão, a ovulação ocorre sem muitos problemas, mas devido à qualidade comprometida, o corpo lúteo é incapaz de se estabelecer adequadamente, o que leva a uma fase lútea interrompida e, assim, encurta o ciclo.

Esse padrão também pode ser observado na perimenopausa e na função tireoidiana baixa.

Uma fase lútea saudável dura entre 12 e 17 dias. Qualquer coisa com menos de 11 dias é um sinal de que há algum tipo de distúrbio hormonal.

No artigo Ciclo Feminino: conexão cérebro-útero-ovários, falei sobre o eixo HPA (hipotálamo-pituitária-ovário) e como todo o sistema neuroendócrino funciona.

Quando estamos estressadas, sobrecarregamos as glândulas adrenais, responsáveis pela produção de cortisol, que precisa continuar produzindo mais. Isso afeta a produção de outros hormônios como a progesterona, que comanda a fase ovulatória do ciclo.

Em condições de estresse, nosso organismo entende que precisamos escolher entre sobrevivência ou reprodução. O estresse pode afetar o processo fisiológico em diferentes fases do ciclo feminino:

  • Na ovulação

O processo de maturação de um óvulo é complexo, com muitas etapas envolvidas. Os óvulos são diferentes de todas as outras células do corpo. Eles contêm apenas metade do nosso material genético e dez vezes o número de mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia para a célula. Sem energia vital suficiente, o desenvolvimento de óvulos e embriões pode dar errado ou parar completamente.

  • na preparação do endométrio

O revestimento do útero precisa de estrogênio e progesterona para criar um ambiente ideal e estimulante para a implantação de um óvulo fertilizado. Como o estresse afeta o estrogênio e a progesterona, o revestimento pode não receber os ingredientes necessários.

A cor, consistência e volume do seu sangue menstrual podem fornecer muitas informações úteis sobre o seu status hormonal.

  • o estresse afeta a qualidade do corpo lúteo e da progesterona

Quando um folículo e um óvulo não conseguem amadurecer, isso afeta o corpo lúteo,  responsável pela produção de progesterona, essencial para manter a gravidez.

  • estresse crônico aumenta a resistência à insulina

A sensibilidade à insulina é diminuída na presença de cortisol mais alto. Esse hormônio é o que permite ao nosso corpo extrair energia de carboidratos e açúcares. Quando estressado, o corpo possui um mecanismo para tentar se proteger, incentivando o organismo a armazenar energia em vez de usá-la.

O estresse também aumentará a testosterona, que tem um efeito inibitório na ovulação (esse padrão é uma característica marcante na Síndrome do Ovário Policístico).

Seu ciclo menstrual é o seu termômetro de estresse

Independente de desejar uma gestação ou não, um período fértil saudável é importante para todas nós mulheres. Isso irá se refletir na menstruação, em todo o ciclo e, consequentemente, na nossa saúde como um todo.

O estrogênio e a progesterona completam um ciclo Yin e Yang. 

O estrogênio eleva nosso humor, aumentando a serotonina, a ocitocina e a dopamina. A progesterona acalma promovendo o neurotransmissor GABA em nosso cérebro.

O seu ciclo menstrual pode ser usado como um detector de estresse muito sensível e preciso. Aprender a mapear o seu ciclo em termos de humor, energia, foco e seus sinais férteis (muco cervical e temperatura corporal basal) pode fornecer informações valiosas sobre como seu corpo está lidando com o estresse.

Por isso, quando inicio uma abordagem terapêutica, apoiar e regular o sistema nervoso é o lugar mais eficaz para começar.

Portanto, a alimentação adequada é muito importante para dar os nutrientes necessários para a produção hormonal e a fitoterapia pode ser um suporte valioso.

Mas a regulação do estresse é essencial para não interferir na interrupção do ciclo. Podemos transformar a maneira como percebemos e lidar com o estresse renovando nossas mentes, mudando nossas perspectivas e amando a nós mesmas. E, ao fazer isso, nossos ciclos menstruais podem nos levar a insights significativos!

Por isso, o programa Ciclo Feminino Natural reúne um plano terapêutico que abrange terapias integrativas e complementares para alcançar esses objetivos por meio de:

  • nutrição Ayurveda
  • práticas restaurativas, conexão corpo e mente e terapias sutis
  • terapias naturais: aromaterapia, fitoterapia, terapia floral.

TEXTO AUTORAL © Jacqueline Guerra

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